Campina Grande

Projeto de xadrez atende 3 mil estudantes em escolas de Campina Grande

Programa está presente em 27 unidades da rede municipal e utiliza jogos presenciais e digitais para trabalhar raciocínio, concentração e tomada de decisões.

O xadrez deixou de ser apenas uma atividade recreativa para ocupar espaço no cotidiano de milhares de estudantes da rede municipal de Campina Grande. O projeto Jogada de Mestre completou cinco anos neste sábado, 25 de julho, com cerca de 3 mil alunos atendidos em 27 escolas e uma programação que reuniu competição, aprendizagem e tecnologia no Parque Evaldo Cruz.

A comemoração ocorreu durante o festival “Xadrez para Todos”, realizado no Açude Novo. Cerca de 200 estudantes participaram das atividades, que incluíram o 5º Torneio Municipal de Xadrez, partidas livres, tabuleiro gigante, xadrez humano e jogos simultâneos contra um enxadrista mais experiente.

O evento também marcou o lançamento da plataforma digital Xadrez Real, desenvolvida para ampliar o uso pedagógico do jogo nos computadores utilizados pela rede municipal de ensino.

Projeto alcança 27 escolas municipais

O Jogada de Mestre foi implantado inicialmente em um grupo reduzido de escolas e ampliado ao longo dos últimos cinco anos. Atualmente, mantém atividades em 27 unidades e atende aproximadamente 3 mil estudantes.

Nas escolas de tempo integral, as aulas de xadrez podem fazer parte da programação diária. Nas demais unidades, as atividades são oferecidas no contraturno, permitindo que os estudantes participem sem substituir os componentes regulares do currículo.

A proposta não está limitada à formação de competidores. O xadrez é utilizado como ferramenta pedagógica para trabalhar planejamento, paciência, memória, percepção de consequências e capacidade de tomar decisões antes de agir.

Ao movimentar cada peça, o estudante precisa observar o tabuleiro, avaliar alternativas e antecipar as possíveis respostas do adversário. Essas características permitem que o jogo seja associado a habilidades utilizadas também em matemática, leitura, resolução de problemas e organização do pensamento.

Os resultados escolares dessas atividades, no entanto, precisam ser medidos por avaliações próprias. A participação no projeto demonstra sua expansão dentro da rede, mas não comprova, isoladamente, melhora no desempenho acadêmico dos alunos.

Festival reuniu diferentes formas de jogar xadrez

A programação no Parque Evaldo Cruz foi organizada para apresentar o xadrez em formatos diferentes dos torneios tradicionais.

Além das partidas disputadas em tabuleiros convencionais, os estudantes participaram de um xadrez gigante, no qual as peças são movimentadas em uma estrutura instalada no chão. O xadrez humano transformou os próprios participantes em personagens do tabuleiro.

Também houve partidas simultâneas, modalidade em que um jogador mais experiente enfrenta vários adversários ao mesmo tempo, passando de tabuleiro em tabuleiro.

Essas atividades foram combinadas com o torneio municipal e com experiências digitais nos Chromebooks da rede de ensino. Todos os estudantes que participaram do festival receberam certificados.

Plataforma Xadrez Real funciona com ou sem internet

Um dos principais resultados apresentados durante o festival foi a plataforma Xadrez Real. A ferramenta reúne jogos desenvolvidos com finalidade educacional e pode funcionar tanto de maneira online quanto offline.

A possibilidade de utilização sem conexão permanente permite que as atividades sejam realizadas mesmo quando a escola ou a comunidade enfrenta limitações no acesso à internet.

Entre os primeiros jogos disponibilizados estão a Batalha de Peões, a Corrida de Peões e o Xadrez da Velha. Este último combina características do jogo da velha com movimentos e regras inspirados no xadrez.

A plataforma deverá fazer parte de um ambiente digital mais amplo, com dominó, jogos de memória, questionários e outras atividades pedagógicas. Uma das funcionalidades em desenvolvimento permitirá que professores criem peças personalizadas de dominó para trabalhar assuntos específicos em sala de aula.

A proposta é transformar o equipamento tecnológico já disponível nas escolas em uma ferramenta de aprendizagem que possa ser adaptada aos conteúdos trabalhados pelos professores.

Xadrez também se tornou espaço de convivência

Além das habilidades cognitivas relacionadas ao jogo, o projeto cria espaços de convivência entre estudantes de escolas e bairros diferentes.

As competições municipais permitem que os alunos experimentem situações de vitória, derrota, espera e respeito às regras. O jogo também exige que os participantes reconheçam os próprios erros e reorganizem a estratégia durante uma partida.

Uma das estudantes ouvidas na preparação do festival, Cecília Alves, de 14 anos, participa do projeto no CEAI João Pereira. Ela relatou que o xadrez ajudou no desenvolvimento do raciocínio e na forma de se expressar. A adolescente também conquistou a segunda colocação em uma competição municipal.

A experiência individual não pode ser generalizada para todos os participantes, mas ajuda a mostrar como uma atividade inicialmente apresentada como jogo pode criar vínculos com a escola e oferecer novas formas de participação.

Mais de 10 mil participações foram informadas em cinco anos

Na cobertura do festival, a rede municipal informou que mais de 10 mil estudantes já passaram pelas atividades do Jogada de Mestre ao longo dos cinco anos.

Esse número representa o total acumulado de participações e não a quantidade de alunos atendidos simultaneamente. O público ativo informado atualmente é de aproximadamente 3 mil estudantes.

O projeto também acumula participações em competições regionais. Uma publicação anterior ao festival registrava mais de 30 medalhas conquistadas desde o início das atividades.

A continuidade do programa dependerá da manutenção das aulas, da formação dos responsáveis pelas atividades, do funcionamento dos equipamentos e da avaliação dos resultados pedagógicos em cada unidade.